A imigração Alemã, que iniciara logo depois da proclamação da independência e da vitória do Brasil sobre Buenos Aires e Montevidéu, encontrou, portanto, ambiente desfavorável à sua adoção imediata, pôr possuir ele nítida consciência patriótica. Muito mais, a vocação Militar dos Rio-Grandenses só se afirmou mais ainda no decurso dos decênios seguintes.

A imigração Alemã, que iniciara logo depois da proclamação da independência e da vitória do Brasil sobre Buenos Aires e Montevidéu, encontrou, portanto, ambiente desfavorável à sua adoção imediata, pôr possuir ele nítida consciência patriótica. Muito mais, a vocação Militar dos Rio-Grandenses só se afirmou mais ainda no decurso dos decênios seguintes. Assim os imigrantes alemães e seus descendentes diretos participaram dessas campanhas, nas fileiras do exercito brasileiro, seus chefes prestaram-lhes homenagens. Essas guerras, porém, tiveram consequência duplamente desfavorável à assimilação dos colonos. De um lado, o Brasil recruta mercenários na Alemanha. Uma vez licenciados, grande número deles permaneceu no rio grande. São conhecidos pelo de Brummers. 53.

Capitulo II.

O Governo Federal Regulamenta a Imigração.

O Governo Federal assegurou para si a exclusividade da competência em matéria de imigração e a preponderância em matéria de colonização. Logo após a primeira Guerra Mundial, pelo Decreto de 6 de janeiro de 1921, o Governo Brasileiro regulamenta a entrada dos imigrantes no Brasil e fixava as condições à sua aceitação. Estas foram logo alteradas pelo Decreto de 31 de dezembro de 1924, que, pôr outro lado, abria, no Departamento de povoamento (hoje Departamento Nacional de Imigração), um registro das companhias de navegação autorizadas a desembarcar imigrantes tornaram-se possível. Esse Decreto dava ao mesmo tempo a primeira definição brasileira do imigrante: todo passageiro, de segunda ou terceira quase chegando em navio pertencente a uma dessas companhias. 101. A constituição de 1934 reservou ao Governo Federal o serviço de imigração e colonização. Na intenção de preservar a estrutura racial e cultural do Brasil, estabeleceu o sistema de quotas. Um artigo da constituição, violentamente atacado na época, limitou a imigração a um máximo anual 2% dos nacionais de cada país fixados no Brasil, no decorrer dos cinquenta anos os dois Decretos, de 9 e 16 de maio de 1934 102. Deram uma nova definição do imigrante, todo estrangeiro que, chegando ao Brasil, pretende nele permanecer mais de trinta dias, com intenção de exercer profissão lícita e lucrativa, que lhe assegure a própria subsistência e a dos que estão a seu encargo.

A contribuição Alemã

A Fixação dos Imigrantes

Pode-se disser que todos os imigrantes alemães que, no século XIX entraram no Rio Grande do Sul, foram tantos habitantes ganhos, pois se instalaram sem intenção de retorno. 1. O Rio Grande do Sul, teve a oportunidade de acolher sobretudo alemães originários de zonas rurais, mas zonas rurais diferentes, de sorte que apresentavam grande variedade de tipos. Pôr outro lado, recebeu certo número de antigos citadinos que possuíam técnicas mais avançadas ou tinham outra cultura e um mais vivo espírito de iniciativa.

A Composição dos Continentes

De 1824, início da imigração alemã, a 1830 da supressão dos créditos para a colonização, entraram ao todo 5.350, imigrantes, 4.856 dos quais se estabeleceram em São Leopoldo, 422 em Torres-Três Forquilhas e 12 foram enviados para São João das Missões. Atingiu-se a cifra recorde em 1829, com 1.689 imigrantes a mínima foi de 99 em 1828: nem a média, nem eram elevados. Mas como o Rio Grande do Sul não recear de outros imigrantes, exerceram influência decisiva na orientação colonial. Foram os artífices de seus primeiros sucessos, sem dúvida porque eram jovem e proteico: entre os imigrantes que entraram em São Leopoldo, havia 1 073 “isolados” e 3 783 indivíduos distribuídos entre 815 famílias. Cada casal, portanto possuía, em média, 2,6 filhos, Mas este número era em realidade mais alto, pois alguns deles não tinham filhos, como o revelam certas listas parciais de entrada. As 70 famílias pôr exemplo, chegadas em 1825, pelo navio “Frederico Henrique”, abrangiam 359 pessoas, entre as quais 224 crianças. 6. Não tendo filhos 7 casais, 3,5 constituíam a média pôr família. A média das idades dos chefes de família era 39 anos (mas 41 contavam menos de 40 anos), e a das mulheres, 36 anos. Entre os filhos, 10 tinham mais de 20 anos, 27 mais de 15,41 de 10 a 14 anos, isto é, 65% contavam menos de 10 anos: tal era a juventude deste contingente de imigrantes. A partir de 1914 abolira toda imigração oficial, não mais publicou estatísticas sobre a composição dos grupos de imigrantes sobre seu sexo, sua idade, sua religião e suas famílias. É tanto mais lamentável quanto às transformações da sociedade Alemã depois da primeira guerra mundial (República, movimentos Sócias, Hitlerismo, êxodo Israelita). O último período é o que se estende a partir do fim da primeira Guerra Mundial. Embora a imigração tenha prosseguido em 1920 e haja desempenhado, no intervalo entre as duas guerras, um papel importante no Brasil, não é fácil determinar o número de imigrantes determinar o número de imigrantes alemães que o Rio Grande do Sul recebeu, pois o governo do estado, que, a partir de 1914 abolira toda imigração oficial, Não mais publicou estatísticas sobre seu sexo, sua idade, sua religião e suas famílias. É tanto mais lamentável quanto às transformações da sociedade alemã depois da primeira Guerra Mundial, (República, movimentos Sócias, Hitlerismo, Êxodo Israelita), desempenharam um papel na emigração. Foi também o período em que, pela primeira vez, se verificaram partidas e baixou o coeficiente de fixação. 10. A Segunda Guerra Mundial surpreendeu quase total a imigração no Brasil, e em particular a imigração alemã, em virtude do estado de beligerância entre os dois países. Podemos, pois, restringir-nos ao número de entradas registradas de 1824 a 1839, 75 00 no máximo as únicas que tiveram importância demográfica, visto que dois terços são anteriores a 1914.

O Crescimento Natural da População

A população de origem Germânica teve uma taxa de natalidade 13, parece que sua instalação no Brasil lhe favorecera o aumento do índice demográfico. Sob a dupla influência da técnica agrícola, que exigia mão-de-obra abundante para o desbravamento das florestas, e da fertilidade das terras virgens capaz alimentar uma população numerosa, pelo menos durante certo espaço de tempo. Mesmo quando já contavam número razoável de filhos no pais de origem (4 em média), as famílias constituídas na Alemanha e imigradas no Brasil, viram crescer este número na geração seguinte.

A Religião

Os imigrantes alemães e seus descendentes distinguiram-se do resto da população rio-grandenses pela devoção e pelo zelo religioso: julga-se, com efeito, que só o praticante tem religião, e o indiferente, o ateu ou o anticlerical não foram de prestígio na colônia. A religiosidade dos colonos parece mesmo ter aumentado, em virtude, sem dúvida, da coesão familiar e do controle exercido pela comunidade dentro do relativo isolamento da sua vida pioneira. A importância da vida religiosa nas colônias assinala-se, pois, pela profunda piedade individual e até mesmo misticismo, assim como pelo papel das comunidades culturais do lugar e pelo vínculo da religião com a consciência étnica.

As Igrejas Protestantes

As Origens

As comunidades protestantes, as mais numerosas, foram às primeiras organizadas, pois, os protestantes constituíram a maioria dos colonos e o protestantismo não exige a intervenção de um sacerdote entre Deus e o fiel. Contudo, com os primeiros imigrantes, haviam chegado da Alemanha alguns pastores: Ehlers, em 1824, a São Leopoldo; Voges, em 1825, a Três Forquilhas, e Klingelhoffer, em 1828, a Campo Bom, que, em 1830 se construiu o primeiro templo. É preciso notar que o pastor Ehlers, até 1830, recebeu ordenado do governo Imperial Brasileiro, que não concedeu o mesmo privilégio ao culto católico. Entre 1844 e 1864, ainda vieram alguns pastores, mas a igreja alemã pouco se preocupou em envia-los regularmente. A própria comunidade, que as autoridades brasileiras toleravam se o culto era celebrado em local sem sinal exterior distintivo, escolheu a maioria dos pastores apenas de sua formação teológica insuficiente 99, a maior parte dos “pseudopastores” cumpriu conscientemente uma tarefa que a extensão das paróquias e a dispersão dos féis nas colônias tornavam difícil, e que a força da comunidade que vivia para e sobre si mesma tornava mais delicada ainda.

Os únicos muitos autônomos são o dos Batistas, que partiu de Santa Cruz e se propagou, sobretudo ao redor de Ijuí, nas novas colônias do planalto, e o dos Adventistas. Em 1950, havia em resumo, 942. 242 protestantes praticantes no rio grande.

A Igreja Católica

Embora o Catolicismo ocupasse um lugar privilegiado no Império Brasileiro, os imigrantes alemães Católicos, chegando ao Rio-Grande do Sul, foram ainda mais deslocados do que os protestantes: ali no meio de compatriotas em grande maioria protestantes ou de correligionários estrangeiros privados de igrejas, sentiram-se duplamente minoritários. Privados de assistência eclesiástica regular, os colonos reuniram-se todos os domingos, sob uma arvore ou numa sala, e celebravam um serviço leigo; um mestre-escola ou um ancião faziam leituras piedosas extraídas do "Goffinfee", e os fies entoavam cânticos. O mestre-escola ensinava o catecismo e a história sagrada. Alguns missionários (jesuítas portugueses e espanhóis) ficaram comovidos com a miséria religiosa dos católicos alemães, e bem assim com as manifestações de profunda devoção que acompanharam sua passagem em 1845. Mas somente em 1849 chegaram à colônia de São Leopoldo os dois primeiros padres de língua alemã, dois jesuítas Austríacos, os Rev. P. Lípinski e Sedlek. 121.

  Os Recém-Chegados.

Permanecem Estrangeiros para eles.

A Lei de 24 de outubro de 1832, que foi a primeira a regulamentar a naturalização dos estrangeiros, não exigia somente longo prazo prévio, mas também formalidades complicadas e dispendiosas seis, de sorte que os colonos de São Leopoldo e Torres não procuraram tirar proveito dela. Eles se debatiam, então, nas dificuldades provocadas pela supressão dos subsídios, debateram-se em seguida, naquelas pela onde os arrastaram a Revolução Farroupilha e a Guerra Civil, na qual colaboraram com uma parte que não pode ser subestimada. Auferiram pela, pelo menos em aparência, a vantagem de serem naturalizados em massa, pela lei de 3 de setembro de 1846 8. Mas essa decisão, que se aplicava apenas aos de São Leopoldo e torres e que nem pôr isso os integrou na Nação Brasileira, não era senão uma medida de circunstância. A Lei geral 601, de 18 de setembro de 1850, promulga mais de vinte e cinco anos do início da colonização, embora a imigração já houvesse prosseguido no rio grande do sul com maior intensidade desde 1845, concedia a naturalização aos imigrantes ao cabo de dois anos de permanência, mas com condição de residirem no seu lote e de o arrotearem. A naturalização estava, pois, ligada a uma concepção essencialmente econômica da colonização e sujeita a exigências que eram a própria navegação da igualdade com o resto da população. A lei de 1850 impunha pôr outro lado, formalidades que, embora simples, nem sempre foram preenchidas 9. Colonos alemães, portando, haviam sido inscritos nas listas eleitorais sem terem direito a isso. As reclamações dirigidas pôr ocasião das eleições, pôr espírito partidário, tiveram como consequência lembra-lhes a origem e contrariaram a assimilação que começara espontaneamente. 10. 

O Decreto 1950, de 11 de julho de 1871, autorizou o governo a conceder título de naturalização a todo estrangeiro menor de 21 anos que o solicitaria se houvesse mais de dois anos no Brasil, ou fora dele o seu serviço, durante mais de dois anos 11. Raros procuram valer-se dele, pois era preciso fazer as necessárias diligências e submeter-se em seguida ao serviço da Guarda Nacional.

A Primeira Guerra Mundial

Provocou imediata tensão entre os Teu-Rio Grandeses e seus compatriotas de outra origem.

 As Circunstâncias

Desde o começo das hostilidades, a opinião pública e a imprensa luso-brasileira manifestaram-se favoráveis à França e hostis à Alemanha, possibilitando as informações Francesas, levando seu apoio às subscrições e aos empréstimos Franceses, salientando as vitórias aliadas. 51. O rio grande do sul fora o primeiro estado a pedir a entrada do Brasil na Guerra, e seu Presidente não escondia suas simpatias pela França 56. Após o torpedeamento do vapor “Macau”, o Brasil declarou Guerra à Alemanha, a 25 de outubro de 1917. Temendo novas explosões de patriotismo, a policia interveio para impedir as depredações em Porto Alegre, proibiu, depois as manifestações públicas, e não consentiu que maltratassem os súditos alemães ou os importunassem em suas propriedades. 57.

  A Colonização

A Civilização Brasileira de princípios do século XIX quase não ofereceria oportunidade aos imigrantes europeus, que ia defrontar-se com a concorrência da mão-de-obra servil, com a inexistência de mercados internos e de equipamento industrial, com a ausência de meios de comunicação, com a penúria de terras devotas. A imigração, pois, só pôde realizar-se pela iniciativa e sob a direção do Governo Brasileiro.

O Governo Imperial Brasileiro sempre considerou a imigração indispensável à exploração do pais. Logo depois mesmo da proclamação da Independência, quando expõe ao parlamento a necessidade de povoar terras novas e fundar a Colônia de São Leopoldo. O Imperador D. Pedro I anuncia que apelará para agricultores livres, brancos, mas não portugueses, pois que a instituição da escravatura degradou o trabalho manual aos olhos dos luso-brasileiros. Graças a esses colonos, regiões então desertem, foram exploradas.

O Rio Grande do Sul foi essencialmente uma conquista Lusitana. A necessidade de garantir a estrada que levava à fortaleza do sacramento impediu o Governo Português a enviar a expedição de José de Silva Paes, em 1737, para fundar a Praça de Rio Grande e balizar o caminho do sul com alguns Fortins. 12.. O Rio Grande do Sul exigiu-se, pois como um baluarte na margem meridional do domínio luso-brasileiro. Pôr outro lado. O tratado de 1750, contrariamente ao que dele esperavam seus negociadores, inaugurou a fase mais agitada das relações Hispano-Portuguesas na América. Pôr isso á formação do rio grande do sul realizou- se nos combates.

A Guerra Guarani

Tendo encontrado a comissão mista, encarregada de fixar os limites da nova fronteira, resistência pôr parte dos índios, as tropas Hispano-Portuguesas intervieram. Depois de escaramuças em que pareceu o chefe deles, Sêpe Tiaraju, os índios foram dizimados (Caibaté 10 de fevereiro de 1756) e seus aldeamentos destruídos ou conquistados (Maio de 1756). Mas as tropas portuguesas estacionaram alguns meses nas Missões, que a convenção de 1761 devolveu aos espanhóis. Estes já inquietavam os portugueses no sul.

A Imigração Alemã, que iniciara logo depois da proclamação da Independência e da vitória do Brasil sobre Buenos Aires e Montevidéu, encontro; portanto, ambiente desfavorável à sua adoção imediata, pôr possuir mais ele nítida consciência patriótica. Muito mais, a vocação militar dos rio-grandenses, só se afirmou mais ainda no decurso dos decênios seguintes.

Assim, os imigrantes alemães e seus descendentes diretos participaram dessas campanhas, nas fileiras do exército Brasileiro. Seus chefes prestaram-lhes homenagens. Essas guerras, porém, tiveram consequência duplamente desfavorável à assimilação dos colonos. De um, lado o Brasil recrutara mercenários na Alemanha. Uma vez licenciados, grande número deles permaneceu no rio grande. São conhecidos pelo nome de Brummers. 53.

Capitulo II

A Colonização

1824-847

O berço da colonização alemã, no sul do Brasil foi São Leopoldo, cujo nome resume as primeiras experiências da colonização oficial. 2.

São Leopoldo

Estabeleceu-se a nova colônia muito naturalmente em terras que eram propriedades da coroa, as da real feitoria do linho, cânhamo, 3 explorada até então, e sem sucesso, com a mão-de-obra servil. Em março de 1824, J. F. F. Pinheiro, o primeiro Presidente da Província, recebeu ordem de proceder à liquidação do estabelecimento e preparar a instalação dos colonos recrutados na Alemanha. O recrutamento foi lá organizado pôr um agente direto do governo. Brasileiro, Major Schaeffer gozando da confiança pessoal do Imperador e de Imperatriz, já se encontrava incumbido de engajar voluntários para os batalhões estrangeiros criados em 1823. O fato de que Schaeffer houvesse conduzido às duas atividades juntas, prejudicou a reputação do Brasil na Alemanha, e da colonização, no Brasil. Aqui, foi-se tentado a considerar os imigrantes como gente sem fé nem lei, a tal ponto que durante muitos tempos os colonos temeram passar pôr “Mecklenbourgeois”. 5. Para atraí-los mais facilmente, Schaeffer oferecera-lhes condições extremamente favoráveis: os colonos viajaram a expensas do governo Brasileiro, seriam logo naturalizados, gozariam da liberdade de culto, receberiam como livre propriedade 160 000 brasas, quadradas de terras (77 hectares) porem família, e cavalos, vacas, bois etc.; Durante um ano; enfim, seriam isentos de todo imposto corrente e toda prestação de serviço pelo espaço de dez anos. A única condição que se lhes impunha era a inalienabilidade de suas terras porem dez anos. 6 O recrutamento, que havia sido lento, foi então suspensos. Em suma, 5 350 imigrantes alemães entraram, de 1824 a 1830, no Rio Grande do Sul 8. Esse número, que pode parecer baixo, não o suportou a administração local. Entretanto demonstrou boa vontade. Mas, para ela tudo era problema, do estabelecimento dos colonos à organização da colônia. 9. Só aos primeiros habitantes foram concedidas terras sem atraso; já os que chegaram em dezembro de 1824 encontraram dificuldade em instalar-se; quando aos que vieram logo depois, tiveram, muitas vezes de esperar meses para ver concederem-lhe um lote, e, no entanto, a divisão da feitoria realizou-se as pressas era preciso alojar os imigrantes que não podiam ficar amontoados no prédio que os agasalhava. Existia abundante material nos lotes, mas os colonos deviam aprender a usá-los. Contudo, tinham de arrotear e cultivar suas terras. Distribuíram-lhe ferramentas e sementes. Até que pudessem prover regularmente, a indenização que lhes fora prometida. O inspetor fiscalizava os fornecimentos de víveres de sabão, de velas, de fumo, feitos aos imigrantes. Com estes eram explorados pelos distribuidores, instituiu aquele um abono em dinheiro. Para evitar que os colonos sofressem atrasos os lojistas que se instalaram deviam aceitar em troca dos gêneros, os vales entregues pela administração com os quais eram pagos os créditos correspondentes. Assim, a ordem foi mantida mais facilmente. Estabelece também espécies de “modus-vivendi’’ com os imigrantes que não podem adaptar-se à agricultura e desejar viver exercendo a profissão que aprenderam na Alemanha. Se fiscalizar a abertura das lojas, favorece o estabelecimento de diversas oficinas de artesão que se agrupam, com o redor da capela, em uma pequena povoação em frente ao passo, no rio dos sinos. Compreender-se, pois a satisfação que sentiram o inspetor da colônia e o Presidente da Província diante desses resultados. Pinheiro, a quem foi concedido o titulo de Visconde de São Leopoldo, considerava o fato mais notável de sua Presidência a fundação da colônia. 12”. O que merece ser assinado é a inteligente harmonia que reinava entre o Presidente e o Inspetor, e a consciência e a preocupação de humanidade com as quais esses dois funcionários desempenharam sua missão. Estabeleceu desde 1824, um pastor alemão, mais tarde, um segundo, fornecendo-lhes casa e uma sala para cultos. Em 1825, fazia nomear um padre católico como capelão da colônia e, em 1828, começava a edificação de uma capela que proveu de todos os objetos necessários ao ritual. Mandou construir um cemitério. Procurou, enfim, criar escolas públicas para os filhos dos colonos. A colônia depressa se estendera da antiga Feitoria à borda da serra, cortando a floresta virgem. Antes mesmo de terem atingido o limite de seus lotes, os colonos passavam pela área dos animais selvagens e pela dos índios, os “bugres”, cujos primeiros ataques se desencadearam em 1829. 13.

A Suspensão da Colonização a partir de 1830

As crises políticas que sobrevieram no, Rio de Janeiro, e, depois, no Rio grande do sul, paralisaram a colonização a partir de 1830. No momento em que o governo poderia ter elaborado a legislação geral e a regulamentação sistemática que se tornavam necessárias, a Lei de Orçamento, de 15 de dezembro de 1830, suprimia todos os créditos para a colonização estrangeira. 16.

Capitulo II

A Administração Provincial das Colônias

A organização administrativa no que concerne à recepção, instalação e tutela dos colonos foi pôr varias vezes modificada. O governo do rio grande do sul, primeiro tomou medidas referentes ao alojamento e à manutenção dos imigrantes durante a viajem através da Província. Dotou de um centro de hospedagem rio grande pôr onde entrevam Porto Alegre, onde tinham de preencher diversas formalidades, Rio Pardo onde deixavam o navio a fim de se dirigirem para maior parte das colônias fundadas entre 1848 e 1870. Dois agentes intérpretes foram nomeados, um em Rio Grande, outro em Porto Alegre no ano de 1857.

O Recrutamento dos Colonos

Desde 1850, o Presidente da Província declara que a colonização espontânea é a melhor: assegura: a moralidade e a ordem nas colônias, entrada de capitais e economia para o governo, que se limita a distribuir terras. Essa mesma ideia consta dos relatórios de 1859, de 1861, de 1866 de 1869. A partir de 1864, o Presidente felicita-se de que tenha sido dado o impulso e de que basta favorecer a colonização espontânea, “cuja corrente aumenta”.

A Atitude do Governo Provincial

A imigração alemã, entre 1875 e 1889, reduziu-se a menos de 600 indivíduos que representavam apenas 11% da imigração total no rio grande do sul, durante o mesmo período. 57. O governo geral não só criou nenhuma outra colônia de 1870, 1889, mas liquidou as que ainda administravam: Nova Petrópolis, Santo Ângelo e Monte Alverne foram emancipados em 1886. 60. Depois de haver organizado na Alemanha, e na Suíça, na Inglaterra e em Portugal, a propaganda imigratória previra a introdução de 350 000 imigrantes. Autorizaram os cônsules Brasileiros residentes nesses países a fazerem viajar, gratuitamente, os colonos pelas linhas transatlânticas. Tomou novas disposições concernentes à demarcação dos lotes nas terras públicas, assim como à entrega dos títulos de propriedade aos colonos. Mandaram, em 1875, que fossem medida todas as terras públicas devolutas no rio grande do sul. Depois, instalou ali uma Inspetoria de terras e colônia (Delegação da Inspetoria Geral, crida em 1876) e regulamentou várias questões administrativas, que iam do pagamento dos subsídios e salários aos recém–chegados à manutenção dos registros de estado civil nas colônias.

A Segunda Colonização Provincial

Até 1895, a gestão da colonização continuou a ser assegurado pelo governo federal que possuía no rio grande uma Delegação especial para terras e colonização dirigida pôr um engenheiro notável, José Montary, que mais tarde veio a ser Prefeito de Porto Alegre; sob suas ordens, funcionavam seis comissões, uma em cada colônia geral Guarani, Ijuí, Barão do Triunfo, Marquês do Herval e Alfredo Chaves.

Os Primeiros Núcleos

No planalto setentrional, Ijuí (1890) e Guarani (1891), essas colônias sofreram com a demora de sua passagem para a administração local, depois da guerra civil. Só começaram a desenvolver-se, realmente, a partir de 1895. Receberam então quase todos os imigrantes que entraram no rio grande (84%, pôr exemplo em 1895). Guarani, estabelecida em 1891, pouco se desenvolvera até 1908 (1210 habitantes em 1897, 3500 e 1900, 4800 em 1904, 6889 em 1908) pôr falta de meios de comunicação; mas no momento em a via férrea foi prolongada em direção a Santo Ângelo, começou a receber cerca de 2500 imigrantes pôr ano, progredindo rapidamente: 13000 habitantes em 1910, 24 500 em 1914 (sendo 6 000 Russos, 3 000 Poloneses, 4 200 Alemães, 3000 Italianos, etc.). Parcelarmente aos imigrantes Guarani recebia também numeroso descendente de colonos que vinham da borda da Serra Geral.

As Colônias Particulares

As colônias particulares de povoamento essencialmente Germânico penetram no planalto subindo o Alto Jacuí ou acompanhado a via férrea. São assim fundados, de um lado, os núcleos de Santa Clara (1896), Alto Jacuí (1897), Não me Toque (1897), General Osório (1898), Dona Ernestina (1900), Selbach (1906), na bacia superior do Jacuí de outro lado, no município de Cruz Alta, Barra do Colorado (1897), Boi Preto (1897), Neu Württemberg. (1899); no de Santo Ângelo, Ijuí Grande (1892), Vitória (1900), Buriti (1908), Timbaúva e Boa Vista (1912), Seteglich (1914); no de São Luiz Gonzaga, Cerro Azul (1902); no de Passo Fundo, Bela Vista (1903) e Dona Júlia (1912); no de Erechim, Rio do peixe (1911). 98. Pelos motivos que vimos os estabelecimentos fundados no decorrer do último período foram muitos menos números que 1889 e 1914.

As Colônias

Instalam-se, pois, as colônias nas proximidades, de um curso d’água ou de uma grande via de comunicação, estradas vicinais ligam ao rio, à via férrea ou à rodovia aos lotes, cuja forma se adapta à topografia 113; a superfície deles alcança, em média, 25 hectares, oscilando entre 15 e 35 no máximo. O local das povoações e escolhido segundo a situação e o abastecimento de água, mas, principalmente em vista da função administrativa, econômica e social que tem de desempenhar; formam pôr exemplo, as células principais da rede de escolas primárias; que permitem a difusão imediata da instrução e do uso da língua nacional. Nelas, o povoamento é, aliás, tanto quando possível misto: estabelecem luso-brasileiro ao lado dos descendentes dos antigos colonos. Contudo, a administração ainda tem de lutar contra o costume de os colonos reunirem-se pôr afinidades éticas, mesmo nas colônias do estado, e mais nas colônias particulares, caracterizadas pela segregação racial.

As mais Recentes Foram:

Santa Rosa 114, fundada em 1915 para regularizar a situação dos colonos sem “instrução”, que devastam a floresta à margem da colônia Guarani, uma parte da qual foi, posteriormente, anexada a Santa Rosa. Do centro, chamado “14 de Julho” a colonização oficial estendeu-se para Porto Lucena, Tucunduva e Laranjeira, prolongando-se, depois, pôr um contrato com a firma Dahne e Conceição, que em 1943 concluiu a colonização no Uruguai.

Os Rio-grandenses de Origem Germânica

A importância do papel da imigração Alemã, na história do povoamento do rio grande do sul, não se explica tanto pela contribuição direta como fecundidade das famílias de origem germânica.

As Áreas Teuto-Brasileiras

As colônias alemãs constituem uma série de “áreas” que sobressaem do resto do rio grande do sul pela precisão dos limites dentro dos quais os homens adotaram ou conservaram um gênero de vida característico.

As Áreas do Centro

A ocupação do planalto pelas colônias alemãs, pôr muito tempo adiada, realizou-se pôr um salto sobre os campos que cobriam as lombadas da coxilha grande, e já vimos em ordem cronológica ás colônias, a partir de 1889, foram fundadas. Ainda hoje, grande número delas continua a pertencer, como distritos, a municípios mais antigos cujas sedes se encontram em zona rural de campo. Só a colônia de Ijuí conquistara sua independência antes de 1955. Ano em que Não me Toque Panambi e Cerro Azul afinal a obtiveram. Percorrendo o planalto, poderia visitar também os antigos núcleos colônias instalados no município de São Luiz Gonzaga, Guarani, Cerro Azul. 58. Enquanto Guarani era uma colônia do estado, Cerro Azul devia sua fundação à união camponesa. Em 1950, ainda constituíam distritos cuja produtividade, no interior do município, era difícil de avaliar. Seu desenvolvimento, contido pelas dificuldades do transporte, mostrou-se bem inferior ao de Panambi e, sobretudo de Ijuí.

Santa Rosa já esta, se não em seu apogeu, pelo menos perto de atingi-lo, pois a totalidade das terras é agora apropriada, e esboçam-se dois fenômenos que acompanham a maturidade de uma colônia: a cessação do movimento imigratório diante dos desenvolvimentos demográficos locais a fragmentação dos antigos distritos em novos municípios. Ora, Santa Rosa, dando origem aos municípios de Três de Maio e Horizontina e 1954, de Giruá, Santo Cristo e Porto Lucena em 1955, acaba de perder perto de 7 0000 habitantes, mas ainda assim, ultrapassa a fecundidade de Erechim.

As Origens Rurais do Comércio teuto-Rio-Grandense.

O comércio tem suas raízes nas colônias01 e os desenvolvimentos desta sua prosperidade. Mas esse desenvolvimento somente se tornou possível através das trocas, cuja influência foi decisiva na produção e na economia das colônias. Houve, assim, simbiose entre o comércio e a agricultura.


O Mecanismo das Trocas.

A Permuta

Desde as origens da colonização, todas as trocas se fizeram pôr permuta. Certamente não existiu somente nas colônias, ela foi também à base do comércio no sertão Brasileiro. O que é característico da colônia são a universalidade e a perenidade do sistema. Nascido da ausência de capital mobiliário e de moeda circulante, não se fortaleceu de tal modo que os tornasse inúteis ou que retardasse a sua constituição ou aparecimento. Todos os viajantes que visitam as colônias, todos os funcionários do serviço de colonização indicam que as operações se fazem pôr trocas “como nas eras passadas, quando não se conhecia o dinheiro”. 11. É uma das causas da surpreendente animação das lojas. Da venda, para onde trouxe alguns produtos, o colono leva sua contrapartida em artigos fabricados ou em gêneros alimentícios. Traz um saco de feijão, uma lata de banha ou uma dúzia de ovos se apenas precisa de coisas; traz mais se prevê grandes compras. As trocas fizeram-se, pois, de início, à vista.

A Distribuição dos Comerciantes Rurais.

Venda e Picada

Mesmo na colônia Guarani, os comerciantes estabelecidos no interior das terras só podiam exportar pôr carroça até ao embarcadouro do Rio Uruguai. Em 1910, dispunham de um parque de 500 carroças 20. Quanto às outras colônias do planalto, foram, tanto como as da borda da serra, dependentes do animal de carga e da carroça, quer tenham precedido a estrada de ferro, como em Ijuí, aonde chegou só em 1911, quer seu desenvolvimento tenha afastado as picadas da via férrea, como em Erechim, onde, entretanto. A estrada de ferro antecedeu a colonização. 21. O transporte dos produtos, em lombo de mula, depois em carroça, entre as linhas e a estado, organizou-se sempre o próprio comerciante.

Essa Classe é muito Ligada à Propriedade, mas não a Terra.

As Questões de Propriedade

Quando, em 1850, o governo Brasileiro decidiu substituir a concessão das terras a titulo gratuito pôr sua eleição a titulo oneroso, esperava ligar mais o colono á sua terra, o qual a simples posse não bastava para estabilizar. 9.Esse sistema, porém, não deu os resultados esperados, pelo contrário. De um lado, longe de reduzira, o novo regime de apropriação das terras contribuiu para periódica a emigração rural. De outro lado, toda a história rural do rio grande do sul, no século XIX, foi domina pelas questões da dívida colonial e das terras.

As Consequências da Guerra

Em 1924, o centenário da colonização alemã no rio grande do sul fora oficialmente comemorado, e o governo expressara seu reconhecimento aos colonos pela contribuição dada à exploração da região. 67. Em, 1935 pôr iniciativa do Prefeito luso-brasileiro de São Leopoldo, decretava-se feriado o 25 de Julho, aniversário da chegada dos primeiros imigrantes a São Leopoldo, com o titulo “Dia do Colono68, festejado em todo o estado, que celebrava então o centenário farroupilha.

A Estrada de Ferro

A primeira via férrea rio-grandense foi precisamente traçada como a corda de arco descrito pelo Rio dos Sinos. Iniciada em 1869 ligou Porto Alegre a São Leopoldo em 1874 e a Novo Hamburgo em 1876. Prolongada, depois, até Taquara e 1903, só galgou o planalto em 1924 e parou em Canela. 181. Desempenha um papel muito ativo até Taquara e contribuir para abastecer Porto Alegre de leite fresco, através da região das antigas colônias alemã, foi quase à única construída pôr motivos econômicos, permanecendo isolada pôr muito tempo. O resto da rede férrea rio-grandenses, estabelecido, antes de tudo, pôr razões estratégicas, foi construído muito lentamente. Sua linha tronca Porto Alegre Uruguaiana, começada em 1877, à margem direita do Taquari. Atingiu Cachoeira em 1883 e Santa Maria em 1884, mas Cacequi só em 1890, e Alegrete e Uruguaiana, finalmente, em 1907. Quando à ligação Porto Alegre-margem, fez-se pôr barco, até que se construíssem em 1910 a linha Porto Alegre-Montenegro-Santo Amaro a e ponte sobre o rio Taquari. As colônias do Vale do Caí só foram, pois, ligadas a Porto Alegre muito tarde (1909–1910), como Santa Cruz à linha principal, da qual, entretanto, não ficava senão a 35 quilômetros 190. As colônias do Taquari, estas jamais foram compreendidas na rede ferroviária 182, que modificou a organização das trocas num certo número de antigas colônias.

A grande linha férrea ligada à linha-tronco Porto Alegre-Uruguaiana e, para que o planalto começasse a ser realmente integrado no resto do rio grande do sul, foi preciso, esperar a construção de uma via férrea ligada à linha-tronco Porto Alegre-Uruguaiana. A grande linha de estrada de ferro partiu de Santa Maria, tocando Cruz Alta em 1894, Passo Fundo em 1900, Marcelino Ramos em 1910. Um ramal uniu Cruz Alta a Ijuí em 1911, a Santo Ângelo em 1915 e a Santa Rosa em 1940. 184. Em Ijuí, o valor das terras dobrou no ano que se seguiu à inauguração da ferrovia. Ainda bem recentemente, em Santa Rosa as vendas de terras acompanhavam o progresso da construção da estrada de ferro Santo Ângelo Giruá: entre 1934 e 1939, passaram de 87.292 para 543.934 mil-réis, alcançaram mais do sêxtuplo em três anos. Embora Santa Rosa houvesse permanecido pioneira, até 1940, para além do terminal da estrada de ferro, a colônia se desenvolveu porque suas estradas de rodagem iam ter uma via férrea. As colônias novas do Alto Jacuí, de Erechim, de Santo Ângelo, de Santa Rosa conseguiram assim compensar seu afastamento de Porto Alegre e, apesar da falta crônica de vagões e da elevação das tarifas chegaram a exportar mais, e a menor preço, que certas colônias da encosta da serra.

Enquanto Erechim se desenvolvia de maneira admirável a colônia de Guarani continuava mergulhada na estagnação econômica 187. Não saiu dessa letargia senão depois da abertura da via férrea Ijuí-Santo Ângelo-Santa Rosa, mas nunca pode conhecer a prosperidade das colônias servidas diretamente pela estrada de ferro. Guarani só teve exportação notável a partir de 1905, à produção aumento seis vezes em dez anos, mas a exportação 4,8 vezes e a importação 4,2 apenas; o valor da exportação “per-capita” permaneceu estacionário: 40 mil-réis em 1900; 41 em 1912, 48 em 1916, 50 em 1918.

A Estrada de Rodagem

As primeiras rodovias foram abertas sob a presidência de Caxias, imediatamente após a pacificação do rio grande do sul. 189. Melhoradas no fim do Império. (190). Nunca passaram de trechos de estradas, paralelos entre si, ligando as regiões agrícolas aos portos nos rios dos Sinos, Caí Taquari, ou Jacuí. Foram chamadas estradas de mundo novo (São Leopoldo-Taquara-São Francisco de Paula), estrada Rio Branco (Caí-Caxias) estrada Buarque de Macedo (Montenegro-Lagoa Vermelha) estrada Júlio de Castilhos (Caí-Vacaria), estrada Borges de Medeiros (Estrela-Passo Fundo). Duas outras estradas partiram, enfim, em diagonais: uma, de Ijuí, Santo Ângelo e Guarani; outra, de Guaíba para Encruzilhada, São Gabriel e Bagé. Só esta última atravessava a campanha. Em fins do século XIX, porém, a circulação, a grande distância, das mercadorias e dos viajantes tinha-se desviado das estradas, que não se repararam mais, sob a influência do clima, seus estragos foram rápidos, e, logo depois da primeira Guerra Mundial.

O rio grande do sul já não possuía uma única grande estrada de rodagem transitável, com qualquer tempo. Ora, neste momento surgia o automóvel. O caminhão e o ônibus apresentavam tais vantagens que sua multiplicação ia provocar o renascimento da estrada.

O desenvolvimento industrial foi uma das maiores transformações da história europeia: aldeões, camponeses, artesões abandonaram suas ocupações migraram para as cidades febris e para as minas de carvão e ferro, transformando-se em operários. Nos estados alemães, embora a manufatura ainda continuasse em mãos dos artífices, as modernas indústrias tomavam conta da Renânia, Saxônia, e Alta Silésia, gerando o desemprego, a fome e a convulsão social. A emigração tornou-se uma válvula de escape Às tensões para, as tensões sociais. As lutas de unificação com o recrutamento, o confisco da porção agrícola, e altos impostos, também contribuíram para a imigração. A propaganda de agentes de emigração aumentou o recrutamento de soldados mercenários e de colonos. As cartas de parentes contando que recebiam terras cortavam arvores e andavam a cavalo, aguçavam o desejo dos famintos para viajarem para o Brasil. O fato de Leopoldina ser Austríaca dava aos emigrantes um sentimento de segurança, iam para a terra que a Imperatriz falava o idioma Alemão. A miséria provocou a intensificação de uma religiosidade popular, transformando a viagem num desejo de Deus. Poucos vieram pelo espírito de aventura, ou com capital para montar negócio. Quando a corte Portuguesa se transferiu para o Brasil, em 1808, D. João estabeleceu condições para a imigração estrangeira, com a finalidade de implantar colônias agrícolas. No início do século XIX, as terras de fácil ocupação estavam com sesmeiros ou com posseiros, restando apenas às áreas do chamando sertão ou de florestas. Em 17./7/ 1822 a resolução governamental extingui o sistema sesmaria, finalizando uma etapa da colonização Portuguesa. Não confiando nos oficias Brasileiros liberais, D. Pedro I ordenou a Jorge Antônio Von Schaeffer, secretario da Imperatriz Leopoldina, que percorresse os estados alemães em busca de soldados, os quais ficariam acantonados na Corte para garantir o poder absoluto. A Imperatriz Leopoldina, em carta de 12 7 1824, escreveu a Schaeffer. “Mande mais três mil homens, todos solteiros e moços sem descontar o número que lhe escrevi outra vez” D. Pedro I também escreveu: “a imperatriz já mandou da minha parte encomendar mais 800 homens para soldados, agora eu lhe ordeno que em lugar de colonos casados, mande mais três mil solteiros para soldados, além dos 800”. Este processo de engajamento alemão prosseguiu até 1829. Um segundo motivo de buscar imigrantes alemães era de substituir a mão-de obra escrava pôr assalariada especializada, pois a Europa estava em pleno desenvolvimento industrial. O terceiro motivo continha uma dose de racismo: era para clarear a “raça” Brasileira, conforme os discursos de parlamentares. As primeiras levas chegaram aos navios Argos, com 284 imigrantes, Carolina com 231, Ana Luiza com 326, totalizando 841 pessoas. Deste total retiraram apenas 38 imigrantes que foram colocados no Bergantim S. Joaquim Protetor, destinado a iniciarem uma experiência de colonização na Província do Rio Grande do Sul. O restante ficou no Rio de Janeiro, formando dois batalhões de caçadores e dois granadeiros. A 18/. 7/1824 chegaram a Porto Alegre os 38 imigrantes recebidos festivamente pelas autoridades. Depois de agasalhados e visitados pôr várias pessoas, subiram o rio dos Sinos em lanchões, desembarcando no Passo a 25 7 1824. Estiveram arranchados na sede da fracassada Feitoria do Linho-cânhamo, enquanto aguardavam amorosa medição dos lotes. Nas esquinas ou encruzilhadas localizavam-se a venda, a capela, a escola, os cemitérios, o ferreiro ou outro profissional. Com o decorrer do tempo, outros artesãos e casas de negócios se estabeleceram nestes pequenos núcleos, dando origem aos povoados e vilas.

A história da humanidade, desde os seus primórdios, é a história das migrações e suas consequências inúmeras, positivas umas, negativas outras. Este fenômeno não apenas significa a passagem de pessoas de um país para outro, mas também dentro dos limites do próprio país, onde se pode observar, não raras vezes, o deslocamento de grandes contingentes em busca de aventuras, riquezas e melhoria de vida. A migração é processo que se repete na história dos povos e se constitui em direito da pessoa. É um permanente que, aliás, mantém e, até mesmo, aperfeiçoa o equilíbrio social e econômico de uma nação. O fenômeno migratório abre novas perspectivas de desenvolvimento para o homem e para as nações onde se processa. Com ele, pôr assim dizer, o mundo se transforma na pátria do homem no seu sentido mais amplo. A ocupação planejada do Brasil, só teve início em 1530, com os portugueses. Estima-se em 1816 viviam aqui no Brasil, aproximadamente, 850.000 portugueses que legaram ao povo brasileiro a sua língua e seus costumes. Os escravos africanos, trazidos entremeados do século XVII e 1850 eram estimados em 1816 em torno de 1.930.000. A partir de 1882, o Brasil abria oficialmente suas portas para a migração, além dos portugueses, também para os espanhóis, alemães (em maior número), italianos, russos, japoneses, etc. Todos contribuindo intensa e valiosamente para o rápido crescimento da população brasileira.

A Imigrante Nova Pátria.

Expectativas e Desafios

Ao decidirem emigrar para o Brasil nem tudo estava resolvido. Os governos, em sua maioria, procuravam entravar este movimento imigratório, através de exigências as mais diversas. Os candidatos à imigração tinham que provar que não tinham dívidas, que haviam pagado os impostos e ainda lhes era exigido o pagamento de uma taxa de 10% sobre todos os seus bens vendidos. Além disso, exigiam a apresentação de um documento que garantia que o país de destino (Brasil) lhes concederia a cidadania. O emigrante era obrigado a renunciar a sua cidadania alemã, no ato da entrega do passaporte. Desta forma, o país queria evitar mais tarde, emigrantes, decepcionados e economicamente arruinados, voltassem e reivindicassem direitos e ajuda à antiga pátria. Mas nada os fazia desisti, em busca de melhores. Ao iniciarem a longa e difícil viagem para o Brasil, frequentemente se viam obrigados a esperar no porto, 15 a 20 dias, ou mesmo um mês, até formarem, um grupo considerável de emigrantes para a partida. O percurso marítimo, a bordo de vapores, durava de 90 a 120 dias, durante os quais havia nascimento e mortes, sendo que últimos encontravam sepultura nas ondas do mar. E a viagem do Rio de Janeiro ao porto de Rio Grande também era cheia de peripécias, dificuldades de toda a ordem, com navios sobrecarregados e sem as mínimas condições de conforto. Durava, geralmente, uma semana. Eventualmente, faziam baldeação em Rio Grande onde, assim como em Porto Alegre, havia uma hospedaria para os imigrantes. A única vantagem que tinham era a passagem do Rio de Janeiro até o último porto era pago pelo governo imperial que também subsidiava a vinda da Alemanha para o Brasil. Após algumas tentativas mais ou menos frustradas em alguns pontos do país, começaram a entrar no Rio Grande do Sul, a partir de 1824, colonos e artesãos de origem alemã. No dia 25 de Julho daquele ano, desembarcava a primeira leva de imigrantes em São Leopoldo “em cujo solo caiu a primeira semente da mão laboriosa do colono e onde frutificou a sua primeira gota de suor, transformando os lotes recebidos em terras produtivas, donde puderam tirar os seus sustentos e o de suas famílias”. Depois vieram outros, mais outros, sendo que entre 1824 e 1914 registrou-se a entrada de mais de 50 mil alemães, em sua maioria agricultores e artesãos, como ferreiros, sapateiros, marceneiros, serralheiros, alfaiates, etc. Em sua maioria eram pobres ou remediados que traziam em seu peito planos fantásticos para melhorar suas condições de vida.

As distâncias, as dificuldades da língua, o abandono a que foram relegados na colônia, fizeram com que os alemães se constituíssem em grupos fechados, isolando-se completamente, num mundo à parte que formavam, onde eles cuidavam de suas escolas, de suas igrejas de seus salões, onde eles, a sua maneira, desenvolviam a vida religiosa, social e cultural.

Portugal logo se apercebeu da impossibilidade de colonizar o Brasil somente contando com seu efetivo humano. Pôr isso, desde os primórdios do século XVIII, pensava-se na instalação de colônias estrangeiras, desde que não tivessem domínios na América, caindo ás preferências para os alemães e italianos, mas contando que fossem católicos romanos. A primeira tentativa foi feita com os açorianos enquanto os estrangeiros só teriam oportunidade após a vinda de Dº João VI, que superando prevenções, receberia os primeiros contingentes suíços em 1818, estabelecendo-os em Nova Friburgo, Estado do Rio, dando início á colonização oficial estrangeira no Brasil. Surgindo o Império no Brasil, D. Pedro imediatamente procurou precaver-se de uma guerra com Portugal, reforçando as tropas existentes, entretanto a dificuldade era conseguir soldados aptos a uma luta de grandes proporções. A solução foi formar os “Corps D`Exrangers”, em 1823, para garantir a vitória que Lisboa teimava em não aceitar. Para isso D. Pedro preparou uma genial “máquina de quatro tempos”, em perfeito sincronismo de marcha. O primeiro tempo, o “arranque”, ficava ao encargo do Major Jorge Antônio Schaeffer, espinhosa missão de angariar soldados mercenários na Europa. Vencendo dificuldades, conseguiu o Major levar a bom termo os objetivos da missão, enviando junto com os soldados, colonos, para despistar as autoridades europeias. Chegando ao Rio de Janeiro, monsenhor Machado Miranda Malheiros, Inspetor da colonização Estrangeira, fazendo seguir para o sul os colonos, ou os soldados, rejeitados na Praça do Rio de Janeiro. O terceiro tempo ficava a cargo do Presidente da Província de São Pedro, Desembargador José Feliciano Fernandes Pinheiro, futuro Visconde de São Leopoldo, recebendo os imigrantes, completando o quarto templo no “Arranchamento” provisório dos mesmos, no Passo do Rio dos Sinos. O sistema durou até 15 de dezembro de 1830, quanto o governo do Império proibiu gastos com a imigração e colonização. O ato adicional de 1834 deixava o problema a cargo das Províncias. Essas, não possuindo meios, deixando ao cargo das associações particulares, como a Associação Central de Colonização, que para atrair mão-de obra, distribuía cadernetas, em alemão, comprometendo-se não só adiantar os pagamentos das passagens, como uma ajuda de custo de 12$000 réis a 18 $ 000 réis restituída pelo em quatro anos. Mas sem o apoio do Governo Central, pouco poderia se conseguir, apesar desse imitar os Estados Unidos, dando porte livre às cartas escritas pelos, atraindo parentes e amigos. Entretanto as vantagens oferecidas pelo Governo Central estavam muito aquém do Estado Unidos, Austrália, e Costa Rica, faltando uma devida fiscalização e facilidades para a vinda dos imigrantes. As autoridades alemãs, pôr outro lado, punham uma série de dificuldades, imperando de 1859 a 1896, o regulamento Von der Heydt, proibindo o aliciamento de imigrantes para o Brasil, determinado pela necessidade dos Estados Alemães do agricultor, visto a quantidade de mão-de-obra deslocada para as cidades e empregada nas indústrias; como também queixas dos colonos que trabalhavam nos cafezais de São Paulo, ao lado dos escravos e tratados não como homens livres.

A Imigração Alemã

I. Objetivos da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul.

A) Objetivos da Província.

1) O povoamento do território, ainda não devidamente explorado e o fortalecimento da defesa das fronteiras.

2) A recuperação da agricultura, praticamente abandonada pelas lides da pecuária.

3) A criação de uma classe média agrícola, até então inexistente no Rio Grande do Sul, predominando os grandes latifúndios.

4) Criar uma nova mentalidade em relação ao trabalho, dignificando a obra do homem, em contraposição ao escravismo, corruptor dos costumes.

b) Objetivos dos Imigrantes.

1) Sonhavam conquistar na nova terra a independência econômica, aproveitando, aproveitando a propriedade agrícola oferecida pelo governo brasileiro.

2) Motivo político desgostoso com a política racionaria, predominante na época.

3) A estabilidade social, vendo na nova terra um lar seguro para si e seus familiares, livres dos embaraços políticos da pátria distante.

 III. Problemas Enfrentados pelos Imigrantes

Diversos problemas tiveram os imigrantes alemães nas terras rio-grandenses, entre outros:

a) Demarcação dos lotes: Além de não estarem devidamente demarcados os lotes na chegada dos imigrantes, a divisão posterior foi mal executada, porque os agrimensores mediam sós escravagismo ó na frente, deixando aos colonos as demarcações laterais, causa de futuras desavenças entre eles.

b) Falta de auxílio: Os primeiros colonos lutaram com enormes dificuldades, pois o governo Provincial demorou no auxílio de manutenção dos mesmos, tendo alguns o vexame de esmolar para sobreviver.

c) Problemas de Comunicação: A língua portuguesa era desconhecida pela maioria dos imigrantes, dificultando a comunicação. Pôr outro lado, os funcionários mandados pelo Governo desconheciam a língua alemã, surgindo, inevitavelmente, dificuldade de diálogo.

d) Liberdade de culto e voto: Apesar de não imperar a intolerância, lutavam os colonos pôr liberdade de culto, pois o Governo oficializava o Catolicismo. Os Pastores Protestantes só podiam exercer suas atividades em casas, não recebendo subsídios e os cargos eletivos e públicos lhes eram vedados. Esta situação melhoraria com a lei eleitoral de 1881, estabelecendo o direito eleitoral, direito da naturalização e protestantes. Em 1882 foi facultado aos Presidentes de Província o direito de naturalizar os imigrantes que desejasse

e) Isolamento: Os colonos alemães viviam isolados nas colônias, cultivando as tradições e costumes de sua terra natal. Pela falta de escolas regulas viram-se obrigados a criarem escolas particulares próprias, cultivando-se a língua alemã, aumentando mais ainda a separação, não pôr culpa deles, mas da falha administrativa da época, contando-se 83 escolas nesta situação antes da Primeira Guerra Mundial.

f) O meio hostil: Os primeiros colonos encontraram dificuldades para o plantio, pois desconheciam as características do clima subtropical, não conhecendo as sementes apropriadas e não sabiam utilizar a “coivara”. O ataque dos indígenas tomando-lhe mulheres e crianças obrigavam os imigrantes estarem sempre alerta e não raro fazerem incursões defensivas aos aguerridos inimigos.

IV. Contribuição dos Alemães

Os imigrantes alemães chegados à Província do Rio Grande do Sul eram na maioria agricultores; entretanto havia marceneiros, seleiros, alfaiates, pedreiros, ferreiros, ourives, farmacêuticos, artífices de rocas e teares, construtores de moinhos e carruagens, que deram origem às oficinas de artesanatos e dessas atingiram as indústrias. Foi graças à colonização alemã que tivemos a primeira fábrica de fiação de lã no Brasil, Rheingantz e Cia, fundada em Rio grande, 1874, atingindo em 1881 duzentos operários. As cidades mais beneficiadas industrialmente foram São Leopoldo, Novo Hamburgo e Santa Cruz, essa na industrialização de fumo.

V. Os Muckers. 

O episódio dos Muckers foi à página triste na colonização alemã, frutos da ignorância religiosa e que até hoje não foram devidamente esclarecidos. João Jorge Maurer e sua mulher, Jacobina Mentz Maurer, se estabeleceram em Sapiranga em 1867, quando em 1872. Jacobina sujeita a ataques e perda de sentidos, quando então pronunciava palavras desconexas, passaram a explorar a credulidade de vizinhos e amigos, atribuindo a Jacobina, faculdades divinatórias. Ao redor do casal começou a crescer um clima de fanatismo e intranquilidade, que o Presidente da Província, Dr. João Pedro Carvalho resolveu acabar com as práticas dos Muckers, descambando para licenciosidade e pondo em perigo a pacata colônia, pois apelavam para a violência quando os colonos reagiam ao novo credo. Tropas de infantaria e artilharia, ao comando do Coronel Genuíno Sampaio, se deslocaram para o Morro de Ferrabrás, onde os fanáticos se entrincheiram em forte cidadela em 28 de Junho de 1874 e é repelido. Reunindo assentar novos reforços, destruí o reduto, mas morre no dia seguinte, vitimado pôr um das armas de um grupo de fanáticos que atacara de surpresa de surpresa o acampamento militar. Os Muckers organizaram-se novamente, obrigando o Governo Provincial preparar uma forte expedição, comandada pelo Capitão de Artilharia Francisco Clementino de Santiago Dantas, que lança um ataque fulminante e tirando todas as possibilidades de nova organização.

A definitiva ocupação do sul só seria possível pela colonização. Diante disso, e sentindo o potencial humano já exaurido, em Portugal há muito tempo, se pensava em lançar mão da imigração estrangeira. Ainda em 1727 o Conselho Ultramarino achava conveniente que vão instalando nas povoações da Colônia (do Sacramento), e outros casais de ilhéus, e quando esses forem insuficientes, se poderiam conseguir casais estrangeiros, sendo alemães e italianos e de outras nações que não sejam castelhanos, ingleses, holandeses, e franceses. 63. A ideia era repetida pelo mesmo Conselho, no edital que autorizava a vinda de açorianos para o Brasil, publicado em 1747 permitia-se a entrada de “casais estrangeiros que não forem súditos a soberanos que tenha domínio na América a que possam passar, contando que sejam católicos romanos”. 64. No entanto, a prevenção contra as potências colonizadoras era tanta que, só após a vinda de D. Pedro VI e a elevação do Brasil a Reino Unido, é que se possibilita e favorece a vinda de povoadores estrangeiros. Um Decreto de 1808 permitia que os estrangeiros, residentes no Brasil, pudessem receber sesmarias. 65. Em 1817 desembarcavam Dona Leopoldina da Áustria, esposa do príncipe herdeiro D. Pedro, com “uma lúcida hoste de cientistas austríacos, alemães e italianos 66. Não é fora de propósito a afirmação que se deve à Dona Leopoldina o início da imigração alemã no Brasil”. Já em 1818 D. João VI acolhia prazenteiro uma solicitação do Cantão de Friburgo, para o estabelecimento de algumas famílias suíças francesas no Brasil. Surgia assim em 1819, Nova Friburgo no Estado do Rio, a primeira experiência de colonização no Brasil, obedecendo-se aos princípios característicos da pequena propriedade rural. 67. As fundações de Santo Agostinho no Espírito Santo (1812) e Leopoldina na Bahia (1819), com o sistema tradicional de latifúndio e escravo não podem ser consideradas, propriamente, (como colonização agrícola europeia). “Depois do Fico e antes da Proclamação da Independência, D. Pedro e José Bonifácio, pôr iniciativa de Dana Leopoldina, resolveram chamar soldados e colonos alemães.” 68 Realmente previa-se guerra com Portugal. Enviou-se então à Alemanha o Médico e viajante Jorge Von Schaeffer, secretário particular de Dona Leopoldina, com a finalidade de angariar soldados, sob a capa de colonização. 69.

Cumprindo este objetivo Schaeffer prometia:

a) Passagem paga à custa do governo.

b) Concessão gratuita de um lote de terras de 400 braças.

c) Subsídios diários a cada colono de 160 réis, no primeiro ano e metade no segundo.

d) Certa quantia de bois, cavalos etc., na proporção do número das da família. Além destas, mais três promessas que iriam ferir a constituição brasileira de 1824, a saber:

a) A concessão imediata da qualidade de cidadão brasileiro.

b) Inteira liberdade de culto.

c) Isenção, pôr dez anos, de impostos.

Estas promessas foram feitas sem autorização do governo brasileiro. Descoberto isto, e o fato de se agenciar soldados, processou-se na Alemanha uma grande campanha de descrédito da imigração para o Brasil. Diante disto, o Império oficializou a missão de Schaeffer e assumiu as promessas, com exclusão das inconstitucionais. 70.

2-Razões da Imigração

2.1 Pôr que o Brasil recebia imigrante:

Consideramos as razões que levaram a promover a imigração no Brasil temos que distinguir, pelo menos, dois períodos: a) o que vai de 1822 1830; b) o que segue depois de 1845. O 1.º foi marcado pela ação de José Bonifácio e Dona Leopoldina. O que se pretendia era: 1) Conseguir soldados para uma possível guerra contra Portugal. Estava no inicio de 1822. D. Pedro, com o Fico, praticamente rompera com Portugal. A reação das tropas portuguesas do general Madeira era claro indício do que poderia acontecer. Perante estas perspectivas é que se pensa enviar para a Alemanha Jorge Von Schaeffer, secretário particular de Dona Leopoldina, para angariar soldados sob a capa de colonização. Ao chegarem os primeiros imigrantes, em Julho de 1824, o perigo de guerra com Portugal estava quase superado. As Cortes haviam sido vencidas e D. João VI retomara o poder absoluto e não se mostrava disposto a guerrear o filho. Em vista disto, os imigrantes foram enviados para o sul, onde estava à fronteira viva do Império e a recém-conquistada Província Cisplatina (Uruguai) não estava ainda integrada. 2) O Rio Grande do Sul dedicava-se quase exclusivamente à pecuária. Pretendia-se que os colonos fornecessem às cidades e ao exército outros produtos. 3) Criar uma classe média agrícola no Brasil, pois só existem os grandes latifundiários e os que nada tinham. Este objetivo já havia sido tentado com casais açorianos, mas havia fracassado. A classe média tornava-se necessária para a criação de um mercado interno. 4) Aumentar a população brasileira. Na época da independência, no vasto território brasileiro, mal havia 4.000.000 de habitantes, incluídos os escravos. É evidente que assim não se poderiam desenvolver todas as possibilidades econômicas e defender as imensas fronteiras em caso de guerra. 5) Colonos livres e operosos deviam servir de exemplo de trabalho numa sociedade corrompida pela mentalidade de que o trabalho era só para escravo, uma das razões pôr que fracassara a colonização açoriana. Mais tarde, pôr esta mesma razão, vai se proibir a permanência e uso de escravos nas colônias (1850). Estes objetivos eram os visados pôr José Bonifácio e Dona Leopoldina. Mas, os ideais dessa colonização agro-militar nunca foram executados como eles os imaginaram.

Depois de 1845 iria recomeçar a imigração, mas os objetivos eram outros:

1). O primeiro e principal foi á substituição do braço de café em São Paulo. A pressão inglesa contra o tráfico se fazia sentir cada vez mais forte (Bill Aberdeen em 1845). O escravo alcançava preço cada vez mais elevado. Alguns Parlamentares, como Nicolau Vergueiro, não só pregavam a maior eficiência do trabalho livre, mas começavam a adotá-lo em suas fazendas de café. O exemplo foi seguido e São Paulo se tornava o ponto de maior convergência dos imigrantes. 2) Outros Estados, que possuíam vastas regiões de matas inexploradas pela economia local, como Espírito Santo, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul, se interessaram pela imigração para tornar produtivas tais regiões, passando a receber da corrente migratória que então se processa. É bom salientar que a imigração para o Brasil sempre foi patrocinada pelo governo que, além de Ter agentes aliciadores na Europa, tinha que tomar outras medidas, como a de pagar as diferenças de custo entre uma viagem para os Estados Unidos com a que se efetuaria para o Brasil e financiar as demais despesas da colocação dos colonos.

2.2 Objetivos dos Imigrantes

Emigravam da à pátria superpovoada pôr faltar-lhes a oportunidade de um sucesso econômico ou incerteza de um futuro promissor aos seus filhos; em todo caso, pretendiam adquirir uma propriedade agrícola e tornarem-se economicamente independentes. Alguns, quiçá vieram também pôr motivos políticos, decepcionados com a política reacionária após as Guerras Napoleônicas e atraídos pela Imperatriz conterrânea no trono, e pelo Imperador com fama de liberal e constitucional. O ideal destes imigrantes seria, portanto, a terra virgem e promissora, onde pudessem construir com as próprias mãos o seu lar, uma existência desembaraçada, uma pátria nova para si e seus filhos. 73. A situação precária dos agricultores alemães foi gravada pelas Guerras Napoleônicas (1792-1815) e pelos distúrbios liberais que se manifestaram, a seguir em quase todos os Estados germânicos.

 3.1- Primórdios da Colonização

De fato o Presidente, José Feliciano Fernandes Pinheiro, era notificado, pôr portaria do Governo Imperial datada de 31 de Março de 1824, que se havia decidido fundar uma colônia de alemães na Feitoria do Linho e Cânhamo, que dessa data em diante ficava extinta. Os primeiros imigrantes chegaram a Porto Alegre, no Bergantim Protetor, a 18 de Julho de 1824. O próprio Fernandes Pinheiro foi a bordo recebê-los. No dia 25 de Julho desembarcaram na Feitoria * que se chamará, doravante, Colônia Alemã de São Leopoldo, em homenagem à Imperatriz Dona Leopoldina. Eram 38 pessoas. Chegando mais um grupo em novembro do mesmo ano, o número de imigrante elevou-se a 124 pessoas. Até a interrupção da imigração, pela suspensão de subsídios em 1830, haviam entrado 4.856 imigrantes, fundado além de São Leopoldo, São Pedro de Alcântara e Três Forquilhas ambas perto de Torres. Digna de nota é uma tentativa de colonização das com imigrantes alemães, feita em 1824. Fernandes Pinheiro aproveitou-se da oportunidade para concretizar um sonho que há muito acalentava, de colonizar com imigrantes as Missões, nesta época em completa decadência. Foi escolhido o povo de São João. Os índios restantes deveriam reunir-se em São Miguel. A partir de 1859 começou a diminuir a imigração alemã. Isto em decorrência da Lei Von der Heydt, proibiu em toda a Prússia a propaganda para a imigração destinada ao Brasil. Motivou esta lei as queixas dos colonos de parceria nos cafezais de São Paulo, que não suportam trabalhar junto com escravos e muito menos ser tratados como escravos. Esta lei vigorou em toda a Alemanha a partir de sua unificação em 1871 sendo revogada, tão somente para os três estados meridionais do Brasil, em 1896. Mas, se diminuía a imigração externa, internamente a migração intensificava-se. Para famílias números de 10 ou mais filhos, o lote inicial tornou-se logo insuficiente, aliando-se isto ao desejo de propriedade e, pôr serem mais baratas as terras novas, foi para lá quase dirigiram as gerações novas, tanto de alemães como de italianos, ocupando aos poucos, com florescentes cidades, toda a mata do Alto Uruguai.

O Sentido da Imigração Europeia para o Brasil e as suas características

Um empreendimento de tamanha envergadura, como foi o da imigração, deveria trazer consequências que, apesar de em curto prazo serem onerosas a seus patrocinadores, num futuro próximo ou mediato representariam uma alternativa vantajosa para a solução do problema da mão-de-obra. Isto explica o interesse que havia pôr parte do governo e da classe dominante na colônia em atrair ondas imigratórias, reconhecendo no europeu um elemento mais apto do que o escravo para ocupar-se de atividades agrícolas. Todavia não convém exagerar a importância dada à experiência do trabalhador agrícola europeu, pois de nada lhe adiantava conhecer métodos agrícolas avançados se a nossa tecnologia, ainda incipiente, não possibilitava o real aproveitamento do trabalhador melhor qualificado. O financiamento da imigração corria, nos Estados Unidos, pôr conta do empresário, enquanto que no Brasil era o governo quem cobria a parte principal deste financiamento, correspondente ao preço da passagem da família. Enquanto que nos Estados Unidos o colono vendia seu trabalho futuro pôr um tempo determinado, no Brasil o colono hipotecava o seu trabalho e da sua família a fim de pagar a dívida contraída com a sua vinda. Os imigrantes que se dirigem para Rio Grande do Sul eram atraídos pôr uma política governamental que pretendia, fixando-os a terra, formar colônias que produzissem gêneros ao consumo interno. Localizavam-se próximas de um centro urbano, mas suficientemente distantes das áreas da grande propriedade, de modo a não apresentar uma ameaça a sua hegemonia política e econômica. Recebiam terras do governo imperial, as quais exploravam de modo independente, dedicando-se primeiramente à agricultura e à suinocultura. A tabela abaixo mostra as oscilações que sofre o movimento imigratório no período de 1851 a 1953:

A elevação de algarismo a partir de 1881 corresponde à substituição progressiva da mão de obra servil pelo trabalho assalariado. De 1940 a 146, devido à Guerra Mundial, o nº de imigrantes torna-se ínfimo, mas o movimento amplia-se de novo a partir de 1950. A Lei Provincial 304, que se constituiu praticamente na carta de colonização da Província, propiciou um aumento considerável no afluxo de imigrantes. Entre 1855 e 1859 entraram na Província 5.024 estrangeiros. A este acréscimo no número de imigrantes entrados, somou-se a repercussão causada pela Lei 183, de 13 de Outubro de 1850, que proibia a introdução de escravos nas colônias existentes ou nas que se viesse a fundar no Rio Grande do Sul.

A Nova Colonização.

Na Virada do século, o Brasil encontra-se imerso na maior onda de imigração de sua história. Entre 1890 e 1929, mais de 3,5 milhões de europeus e asiáticos desembarcaram nos portos nacionais, fugindo da fome e da miséria. A maior parte dos europeus tem como destino os cafezais paulistas, onde a mão-de-obra se tornara escassa depois da libertação dos escravos. A vinda dos europeus traz contribuições importantes: o crescimento populacional, o desenvolvimento economia, a criação de cidades e a introdução de costumes.

A Viajem Rumo Ao Sul.

1. A Viajem são feita na terceira classe de navio superlotado e dura um mês. Dorme-se no chão. Come-se mal. 2. Os Colonos desembarcaram no Rio de Janeiro, onde permaneceram de quarentena na Ilha das Flores. 3. Até o Porto de Rio Grande, são pelos 10 dias em barco a vapor. 4. De Rio Grande a Porto Alegre a navegação é feita em pequenas embarcações. 5. Na Capital, os imigrantes ficam alojados em barracões rústicos ou dormem em ruas e praças. O tempo de espera pela libertação do lote pode chegar a seis meses. Em pequenas embarcações, navega-se até Montenegro, São Sebastião do Cai ou Rio Pardo. 6. A viagem prossegue a pé ou sobre uma carreta. Durante dias, o colono atravessa picada na mata. 7. Chegado à Colônia, é alojado na Casa de Agasalho, na qual permanece até se fixar em seu lote. 8. Os primeiros tempos são duros: é preciso limpar o terreno e construir uma casa. Nesse período, roupas em e mantimentos são armazenados no oco das árvores. 9. A primeira moradia é pracearia: um racho de pau a pique, coberto de palha.  A definitiva é ampla, de madeira ou pedra. 10. No começo, a comida é escassa. Come-se pinhão cozido, polenta e passarinhada.

O interessa político na efetiva colonização do território gaúcho fixou o imigrante no interior da Província, nas áreas não ocupadas pelas bandeiras e açorianos. Os locais escolhidos para o desenvolvimento do trabalho agrícola geralmente circunscreveram-se ás proximidades de leitos fluviais. Os rios tinham uma função econômica e política de grande importância. O território do Rio Grande do Sul estava pouco servido por um sistema de transporte. Em tais circunstancia os transportes mais eficientes era a navegação. Foram os rios que permitiram o acesso dos imigrantes às zonas de povoamento a eles destinadas. Por outro lado, pelos rios se estabeleceriam condições favoráveis para o transporte dos derivados do trabalho agrícola. O rio Comandaí exerceu papel fundamental para a colonização desta área, servindo de via de transporte para os pioneiros que buscavam novas terras. Tendo sua nascente nas imediações da Colônia de Guarani e não muito distante do núcleo colonial de Cerro Azul, permitiu com maior facilidade a penetração nas áreas ainda devolutas. Assim, as primeiras experiências de colonização nesta região se firmaram nos pontos próximos ao canal do referido rio. O curso do rio introduziu os primeiros habitantes em Campinas e Porto Lucena.


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